Assim como a reforma administrativa, a reforma tributária também está entre as principais discussões no Congresso Nacional para destravar a economia.

 A ideia é substituir o atual modelo, que é caro e muito complexo para o ambiente de negócios, por mecanismos bem mais modernos e eficazes.

Para se ter uma noção, de acordo com dados do Tesouro Nacional,  o Brasil tem a segunda maior carga tributária da América Latina, perdendo apenas para Cuba. A carga de impostos chega a cerca de 33% do PIB (Produto Interno Bruto).

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Mas por que pagamos impostos ao governo federal?

O imposto é algo previsto em lei que todo cidadão deve pagar. Ele é como se fosse um investimento que fazemos no governo, para que ele possa oferecer serviços e benefícios a população como:  saúde, educação, segurança, transporte público e moradia. 

Esses serviços básicos deveriam ser oferecidos com qualidade para toda a população, mas sabemos que muitas vezes eles são ineficientes e até precários. E nós pagamos caro por isso. 

Dados oficiais do governo federal apontam que a Carga Tributária Bruta (CTB), calculada pela divisão do valor arrecadado pelo governo com tributos pelo Produto Interno Bruto (PIB), foi de 33% em 2019. Isso significa que cada habitante pagou, em média, R$ 12 mil ao Estado ao longo do ano. 

De acordo com uma matéria do UOL, o CTB médio dos países caribenhos e da América Latina é de 23%.

 

O que é a reforma tributária?

A reforma tributária visa a reformulação dos impostos e a simplificação do sistema tributário do País. O modelo vigente tem alto nível de dificuldade e se é muito oneroso aos contribuintes.

De acordo com relatório divulgado pelo Banco Mundial, uma empresa brasileira precisa de 1.958 horas para pagar seus impostos, enquanto a média em outros países é de apenas 206 horas.

Além disso, segundo o Banco Mundial, a burocracia consome 1,5% do faturamento anual das empresas. Isso indica um gasto de R$ 60 bilhões por ano só para o cálculo e pagamento de impostos.

Para tentar resolver a questão, três propostas estão em análise no Congresso e têm pontos em comum, como a unificação de diferentes impostos em apenas uma contribuição, que ajuda a diminuir a desigualdade, e a simplificação de arrecadação.

O principal objetivo desta mudança na lei é aumentar a competitividade das companhias, acelerar a atividade econômica do Brasil e, com isso, gerar empregos aos brasileiros. 

 

A reforma tributária para a economia

Outro fator positivo da reforma tributária é relacionado à transparência. Com a reforma, os brasileiros vão poder saber o quanto pagam de impostos em cada produto e serviço.

Além disso, todas as etapas da reforma estão alinhadas à modelos que geram mais eficiência ao nosso sistema de arrecadação.

Também há a redução dos custos para investimentos e para as empresas produzirem mais e melhor no Brasil. 

Teríamos ainda o crescimento da qualidade e a redução dos preços dos produtos e serviços disponíveis ao cidadão, além da geração de renda e empregos em todo o país.

A reforma tributária chega para potencializar o cenário econômico e o ambiente de negócios. Segundo dados do Banco Mundial, o Brasil é apenas o 124º país no ranking de ambiente de negócios. A lista engloba 190 nações.

Com a diminuição de encargos e a simplificação de abertura de novas empresas, a expectativa é que a taxa de desemprego possa diminuir. 

Vale ressaltar que os resultados devem ser vistos à longo prazo, mas serão duradouros. A expectativa é um ambiente que favoreça o empreendedorismo e os negócios.

 

A unificação dos impostos que diminui a desigualdade

Atualmente, a tributação do consumo é regressiva, ou seja, quanto mais pobre o cidadão, maior a carga tributária para ele.

A razão para isso é que a carga tributária brasileira está concentrada nos impostos indiretos, que consistem em taxas sobre o consumo inseridas nos preços de qualquer mercadoria.

Portanto, proporcionalmente, um brasileiro que ganha um salário-mínimo paga muito mais do que um cidadão rico, apesar de pagar o mesmo valor no produto.

Porém, um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indicou que as unificações de impostos sobre o consumo, que constam nas três propostas, com alíquotas iguais para todos os produtos e serviços, seria benéfico a 90% dos brasileiros.

Os pesos dos impostos na renda iriam diminuir principalmente aos mais pobres.

 

Quais as propostas em análise?

Existem três propostas da reforma tributária no Congresso: a PEC 45/2019, da Câmara, a PEC 110/2019, do Senado e o PL 3887/2020, do Governo Federal.

 

Proposta da Câmara dos Deputados:

O texto da Câmara procura simplificar o sistema tributário com a criação do IBS (Imposto Sobre Bens e Serviços) que iria substituir cinco tributos:

  • PIS: Programa de Integração Social; 
  • Cofins: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social; 
  • IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados;
  • ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços;
  • ISS: Imposto Sobre Serviço.

O IBS teria caráter nacional, com alíquota formada pela soma das alíquotas federal, estaduais e municipais.  Estados e municípios determinam suas alíquotas por lei. 

A transição seria feita pouco a pouco, aumentando a alíquota do IBS e diminuindo a alíquota dos cinco tributos, que deixariam de existir em 10 anos.

A arrecadação iria para um caixa separado do Tesouro Nacional. O governo federal, os estados e os municípios teriam acesso aos recursos a que têm direito.

Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indicou que a proposta da Câmara tem potencial para subir o Produto Interno Bruto (PIB) de 4,1% a 20% e os investimentos de 16,4% a 25%.

 

Proposta do Senado Federal:

Assim como a proposta da Câmara, os Senadores propõem a criação do IBS, porém querem a substituição de mais quatro tributos, além dos que foram apresentados pelos deputados. São eles:

  • IOF: Imposto Sobre Operações Financeiras; 
  • Pasep: Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público; 
  • CIDE-Combustíveis: Contribuição Incidente sobre a Importação de Comercialização de Combustíveis;
  •  Salário-Educação: contribuição social para financiamento de programas e projetos de educação pública; 

A alíquota do IBS poderá variar de acordo com cada produto e cada serviço, mas deve ser a mesma em todo o território nacional.

A transição seria feita em apenas cinco anos. Com isso, todos esses nove impostos iriam deixar de existir depois de cinco anos da aprovação do projeto.

A arrecadação determina a divisão entre municípios, estados e federação, de acordo com percentuais previstos para cada ente federativo na Constituição sobre a receita bruta do novo imposto.

 

Proposta do Governo Federal

O projeto de lei enviado ao Congresso pelo governo no ano passado é um pouco diferente em relação às duas outras propostas. O Ministério da Economia propõe a criação do CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços) para a substituição de apenas dois tributos:

  • PIS: Programa de Integração Social; 
  • Cofins: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social

A alíquota da CBS seria de 12% para empresas em geral e de 5,9% para entidades financeiras como bancos, planos de saúde e seguradoras. 

A proposta prevê o prazo de seis meses, a partir da publicação da lei, para que o novo tributo entre em vigor.

 

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