Se tem algo que está muito em alta nos últimos meses são as pesquisas eleitorais, não é verdade? E muita gente tem dúvidas sobre a realização dessas pesquisas, já que nunca fez parte de alguma. 

Como uma pesquisa eleitoral feita com 2 mil pessoas pode estimar o voto de mais de 150 milhões de brasileiros? E por que elas podem não indicar o mesmo resultado das urnas? É o que nós vamos te mostrar neste post.

Quem realiza as pesquisas eleitorais?

Normalmente, as pesquisas eleitorais são encomendadas pelos veículos de mídia e servem para coberturas jornalísticas durante o período eleitoral. Os próprios partidos também encomendam as suas pesquisas internas aos institutos para analisarem e promoverem novas estratégias de impulsionamento da campanha dos candidatos. 

As pesquisas também contribuem para que o eleitor veja se o seu candidato possui chances reais de vitória. Principalmente em anos eleitorais, como em 2022, esses materiais são feitos com muito mais frequência, mas vale lembrar que não acontecem só nesse período. 

Intenção de voto para as eleições no momento

Antes de tudo, é fundamental dizer que as pesquisas não servem para “prever o futuro”. Elas procuram indicar a situação política e a posição dos brasileiros no momento em que estão sendo feitas. 

E você sabe: na política tudo pode mudar em questão de horas e o eleitor pode, muito bem, alterar o seu voto! Por isso, pesquisas eleitorais feitas em março deste ano, por exemplo, podem não bater com o mesmo resultado das urnas em outubro. 

Isso porque o cenário eleitoral e a intenção de votos dos brasileiros no início do ano pode ser um e em outubro tudo pode mudar. As pesquisas, portanto, procuram indicar o retrato do momento.

Por que você pode nunca ter participado de uma pesquisa?

Talvez essa seja uma das principais dúvidas dos brasileiros: por que nunca fui entrevistado pelo Datafolha, Genial/Quaest, Paraná Pesquisas ou qualquer outra? 

O método utilizado depende de cada um dos institutos encarregados de realizarem a tarefa. Uns fazem as entrevistas por telefone, enquanto a maioria realiza a pesquisa domiciliar, por meio da amostra eleitoral.

A importância da amostra do eleitorado

Diferentemente de um censo, por exemplo, que apresenta 100% de confiança e representatividade total da população, as pesquisas eleitorais são feitas levando em conta uma amostragem eleitoral, significa que um grupo de pessoas vai representar todos os brasileiros aptos a votar, no caso, 156 milhões de pessoas.

Para que esse grupo represente bem o universo de eleitores é preciso que ele reproduza a composição e a distribuição do eleitorado. Pensando nisso, o instituto de pesquisa escolhe os participantes conforme as características que representam toda a população: distribuição de gênero, idade, renda, quantidade de eleitores por região, etc.

Escolha dos entrevistados

Vamos dar um exemplo prático para uma pesquisa eleitoral. De acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as mulheres representam 53% do público eleitoral. O que isso nos indica? Que uma pesquisa eleitoral não pode entrevistar 52% de homens e 48% de eleitoras, afinal, isso não corresponde à realidade do nosso país. 

Essa premissa também vale para distribuição de participantes por região. Segundo levantamento do mesmo TSE, o sudeste concentra 42% dos eleitores no Brasil. Portanto, é necessário ter mais entrevistados dessa região. 

Escolha aleatória dos entrevistados

Depois da definição da amostra, os entrevistados são selecionados de forma aleatória, justamente para a posição específica para algum candidato. Por isso, os locais de aplicação dos questionários são sempre definidos por sorteio.

Definição das perguntas ao eleitor

A maioria dos institutos realiza duas perguntas: uma de forma espontânea e outra estimulada. Elas devem ser feitas de forma neutra, sem direcionar a resposta para um ou outro concorrente. 

Na primeira questão seria algo do tipo: “Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria?” Os nomes dos candidatos não são apresentados. O eleitor responde de forma espontânea.

Já na segunda pergunta, os nomes dos concorrentes são compartilhados e o eleitor responde se tem alguma preferência por algum dos nomes. Vale ressaltar que os candidatos não podem ser apresentados em uma ordem fixa, pois os primeiros da lista tendem a ser favorecidos.

O que é a margem de erro?

Depois de feitas as perguntas, os dados de todos os entrevistados são analisados até chegar aos números finais da pesquisa. Porém, mesmo que a amostra esteja de acordo com a população brasileira, não é possível ter certeza de que o resultado é um retrato fiel da intenção de voto dos brasileiros.

É aí que entra a margem de erro. Nada mais é do que o índice que determina a estimativa máxima de erro que o resultado de uma pesquisa pode ter. Imagine que um candidato tenha 20% dos votos. Levando em consideração a margem de erro padrão de 2 pontos percentuais, ele terá entre 18% e 22% dos votos.

A margem de erro sempre vem acompanhada do nível de confiança, que é o número de vezes que a pesquisa pode ser repetida. O resultado será sempre um valor próximo.

Pegamos como exemplo a pesquisa presidencial feita recentemente pela Genial/Quaest. O instituto informa que o índice de confiança é de 95%. 

Isso significa que caso o levantamento seja repetido 100 vezes, ele deverá apresentar o mesmo resultado em 95, já que esse é o percentual padrão do nível de confiança.

Normalmente, as pesquisas informam o perfil da amostra e outros dados de como são feitos os levantamentos. 

Você pode checar essa composição no site do TSE, no qual os institutos precisam registrar o questionário que será aplicado antes de realizarem o trabalho.

 

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