Nos últimos dois anos diversas matérias e notícias foram compartilhadas a respeito do polêmico termo “orçamento secreto”. 

Vale lembrar que o STF (Superior Tribunal Federal) chegou a suspender no fim do ano passado a execução do polêmico projeto. O TCU (Tribunal de Contas da União) também já realizou questionamentos devido à falta de transparência.

Mas, afinal, o que significa o “orçamento secreto”? É o que você vai saber neste POST!

A nova modalidade de emenda parlamentar

O orçamento secreto, que tem o nome técnico de emenda da relatória, é uma nova modalidade de emenda parlamentar que foi iniciada em 2020 para destinação de verbas públicas a projetos definidos por parlamentares.

Mas, antes de tudo, é preciso que você entenda o significado de emenda parlamentar. De acordo com a Constituição Federal, emenda parlamentar é o instrumento legal que dá permissão para deputados e senadores participarem da elaboração do orçamento anual feito pelo Governo Federal.

Em outras palavras é a oportunidade que os parlamentares têm de acrescentarem novas programações orçamentárias para atender as demandas das comunidades que representam. 

As verbas devem ser usadas para investimentos em saúde e educação. As emendas podem ser de três tipos:

Emendas Individuais: 

são de autoria de cada parlamentar. Ou seja, ele decide onde alocar o dinheiro. No ano passado, o montante total reservado foi de R$ 9,6 bilhões em 2021, divididos igualmente entre os deputados. 

Emendas de Bancada:

São emendas coletivas, elaboradas por bancadas compostas por parlamentares estaduais ou regionais. O total reservado no orçamento para o ano passado foi de R$ 7,3 bilhões.

Emendas de Comissão: 

Emendas apresentadas por comissões permanentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. 

Importante ressaltar que estes três tipos de emenda permitem a identificação do parlamentar e das bancadas que destinaram recursos públicos a determinados locais. É aí que entra a quarta modalidade: Emenda de Relator. 

A criação da Emenda de Relator pelo Congresso Nacional

As emendas do relator ou emendas de relatoria foram criadas em 2019 pelo Congresso Nacional e aplicadas a partir do ano seguinte. 

Porém, ao contrário do que citamos acima a respeito das outras modalidades, este tipo de emenda deixa oculto o deputado que indicou a destinação da verba. Ela permite a identificação do órgão orçamentário e até do favorecido pelo dinheiro, mas o nome do parlamentar favorecido não é compartilhado. 

Qual a verba destinada à Emenda de Relatoria? 

De acordo com matéria divulgada pelo G1, em 2021, o montante reservado para emendas do relator foi de R$ 18,5 bilhões, bem superior aos valores destinados às emendas individuais e coletivas.

Significa que esse dinheiro poderá ser destinado à base política de um parlamentar sem que ele sequer seja identificado. 

Por isso, pela falta de transparência quanto aos valores dos repasses e dos nomes dos políticos envolvidos, essa emenda ficou conhecida como “orçamento secreto”.

Publicidade de dados solicitada pelo STF

Como dissemos no início do texto, o Supremo chegou a suspender os repasses por conta da falta de publicidade de dados no ano passado. 

Porém, neste ano, por ordem da Suprema Corte brasileira, a Comissão Mista de Orçamento passou a disponibilizar a lista de indicações de cada parlamentar. 

 

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