De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial do Brasil fechou 2021 com avanço de 10,06%. Esta é a maior taxa acumulada desde 2015, quando o índice bateu a marca de 10,67%.
O número é bem acima do teto de metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que era de 5,25%.
O avanço dos preços acabou resultando na queda do poder de compra dos brasileiros, além do aumento da pobreza. Mas, afinal, o que significa a inflação e quais são os motivos para esse crescimento?
Continue com a gente para você entender tudo isso!
O que é a inflação?
Inflação é um termo muito famoso e utilizado na economia para definir o aumento geral dos preços das mercadorias e do custo de vida da população.
Ela se torna prejudicial para a sociedade quando sobe em níveis altíssimos e em velocidade acima dos reajustes salariais. É o caso do Brasil atualmente.
Dados oficiais do governo federal indicam que o reajuste do salário mínimo em 2022, de R$ 1.100 para R$ 1.212, está R$ 0,70 abaixo da inflação acumulada no ano passado.
Ou seja, o poder de compra do brasileiro diminuiu, afetando principalmente os mais pobres. Muitos têm dificuldades de comprar itens essenciais como carne, arroz e feijão.
Crise hídrica aumentou a energia elétrica em 2021
Um dos principais motivos para a disparada da inflação no último ano é a crise hídrica que atinge o Brasil, a pior dos últimos 90 anos.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste registram o nível mais baixo desde 2000. Até o último mês de outubro, o armazenamento médio era de apenas 16,8%. A falta de água fez com que as usinas termoelétricas precisassem ser acionadas.
Além de serem mais poluentes, elas também são mais caras, elevando o custo da energia elétrica, valor que automaticamente é repassado ao bolso dos consumidores, por meio das bandeiras tarifárias. É um efeito cascata.
Em agosto de 2021, por exemplo, a Aneel criou uma nova bandeira tarifária que provocou aumento de 6,78% na tarifa média dos brasileiros. Além disso, a própria Aneel projeta conta de luz 21% mais cara neste ano.
A alta dos preços da gasolina e do etanol
Talvez seja o principal vilão do aumento da inflação em 2021. O IBGE revelou que até novembro, os combustíveis subiram mais de 40%. No caso do etanol, o crescimento acumulado atingiu 70%. Já a gasolina aumentou cerca de 50%.
O crescimento se deve por conta da alta do dólar e da política de preços da Petrobras. Desde 2016, a política de custos da gasolina foi alterada. Hoje ela é pautada pelo mercado internacional.
Segundo matéria divulgada pelo G1, antes do início da pandemia, a moeda norte-americana estava valendo cerca de R$ 4,19. Em dezembro chegou a R$ 5,70, um dos maiores patamares da história.
Barril do Petróleo ficou mais caro em 2021
Se o dólar sobe, o preço do barril também aumenta. De acordo com o Poder 360, o preço do petróleo aumentou 49%, sendo o valor mais alto desde outubro de 2018.
Uma das principais razões se deve ao retorno das atividades econômicas em todo o planeta. A volta da circulação de veículos no mundo fez com que os valores subissem exponencialmente.
Com a enorme alta dos preços internacionais, os valores daqui também sobem. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou recentemente que o preço médio das refinarias aumentou 46% em 2021.
Alta do dólar
Como dissemos acima, o preço do combustível é baseado na taxa de cotação do dólar e no barril do petróleo. Ou seja: se sobe o dólar, o preço do barril do petróleo também aumenta e isso se reflete no mercado brasileiro.
A alta do preço do dólar acabou deixando bem mais cara a gasolina aos brasileiros. Não apenas isso, esse problema fez com que os preços componentes importantes para a indústria se tornassem bem mais salgados, por exemplo.
De acordo com a CNN, a moeda norte-americana acumulava valorização de mais de 6% em relação ao real desde o começo de 2021.
Preço dos alimentos
Assim como em 2020, os alimentos também subiram consideravelmente de preço no ano passado não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), os preços mundiais aumentaram 28%. Aqui no Brasil, de acordo com o IBGE, os itens básicos aumentaram mais de 7% entre janeiro e novembro.
Alguns problemas climáticos no campo contribuíram para a elevação dos preços, como a seca prolongada e as geadas, que prejudicaram colheitas importantes no país.
A menor oferta de bovinos também afetou o valor da carne, fazendo com que o alimento se tornasse raro na mesa dos brasileiros. Açúcar, maracujá, carne e café estão entre as maiores altas nos últimos 12 meses.
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