Uma pesquisa divulgada pela CNN em maio deste ano revelou que metade dos lares brasileiros sofreram com algum nível de insegurança alimentar em 2020. E mais: cerca de 19 milhões de pessoas passaram fome no ano passado.
Mas a falta de comida no prato já vinha aumentando nos últimos anos. Segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), a fome teve alta de 27,6% entre 2018 e 2020.
Pode parecer óbvio, mas é fundamental salientar que a alimentação é um direito social de todo brasileiro. Isso está presente na nossa constituição. No entanto, quais são os motivos para este aumento nos últimos anos? É o que você vai entender neste artigo.
Brasil de volta ao Mapa da Fome
Depois de alguns anos fora do radar, o nosso país está de volta ao Mapa da Fome, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU). É o que mostra uma matéria divulgada pelo jornal Band.
A pesquisa da ONU indica a situação global de carência alimentar. Um país entra neste levantamento quando a subalimentação afeta 5% ou mais de sua população. Nações como México, Afeganistão, Índia e Venezuela também estão na lista. Praticamente todos os países africanos aparecem neste mapa.
Aumento da desigualdade social no Brasil
Uma matéria divulgada pela revista Veja, em 2019, já indicava que a desigualdade social no país aumentava pelo 17º trimestre consecutivo. Era o maior período de alta já visto na história do Brasil.
A pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que a maior perda na renda domiciliar foi sofrida pela população mais pobre. Metade destes brasileiros com baixo poderio financeiro viram sua renda diminuir 17,1%, entre 2014 e 2019. Enquanto isso, o 1% mais rico viu sua renda expandir em mais de 10%.
De acordo com relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgado pelo UOL, o Brasil aparece na 7ª colocação entre os países mais desiguais do planeta, perdendo apenas para nações africanas.
Extrema pobreza atingiu mais brasileiros antes da pandemia
Antes da pandemia o cenário já era desolador. Levantamento feito pela FGV revelou que entre 2014 e 2018, a renda dos 5% mais pobres no Brasil diminuiu 39%.
Ainda neste mesmo período, o país registrou crescimento de 67% na população que vive na extrema pobreza. A instituição utilizou como base a linha mais baixa de pobreza da ONU, que corresponde a U$S 1,25 (cerca de R$ 5,45) per capita por dia.
Taxa de desemprego no Brasil chega a nível recorde
O desemprego, além da taxa de desigualdade e da extrema pobreza, que já estavam em alta antes da pandemia, também é um dos fatores para a fome no país.
De acordo com o mesmo estudo feito pela FGV, a fila por uma vaga de trabalho no país era de 6,5% no fim de 2014. Com a forte crise econômica que atingiu o Brasil entre 2015 e 2016, essa porcentagem cresceu vertiginosamente chegando a 12%, atingindo cerca de 12 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2019.
Atualmente, também por conta da pandemia, o Brasil tem a taxa recorde de desemprego. De acordo com números divulgados pelo IBGE neste ano, a fila de desempregados chegou a 14,7%, afetando mais de 14,8 milhões de pessoas.
A criação do programa de renda mínima
Muito além da pandemia, a fome acabou sendo um sintoma de diversos problemas que o país já estava passando, como a desigualdade, a extrema pobreza e o desemprego. A pandemia serviu para aumentar ainda mais o nosso problema.
Por isso, estamos tendo uma chance única para discutirmos a possibilidade de um programa de renda básica mais sólido, com contrapartidas a serem assumidas pelos beneficiários.
Como, por exemplo, adesão a cursos técnicos de qualificação profissional e manutenção de filhos na escola como condições necessárias. Seria um caminho para, além do benefício econômico, termos uma solução para a inclusão social.
O programa de renda mínima pode, ao mesmo tempo, priorizar e valorizar a educação. A sua melhoria é fundamental para viabilizar as oportunidades de ascensão social e o desenvolvimento sustentável no país.
Importante relembrar que o STF decidiu que, a partir de 2022, o governo federal será obrigado a implementar um programa fixo de renda mínima para a população de extrema pobreza. É um começo, mas ainda está longe do ideal.

