Você sabia que o Brasil está entre as oito nações mais desiguais do mundo? É o que diz o Relatório Mundial da ONU divulgado em 2020. A pesquisa aponta que estamos atrás somente de nações africanas.

O resultado indica um contraste de regiões muito pobres e muito ricas ao mesmo tempo. Por que somos um país tão desigual? Qual a explicação para a distância de renda entre os brasileiros? Você vai entender aqui!

O que é desigualdade social?

Desigualdade social é a diferença econômica existente ente determinados grupos de pessoas em uma mesma sociedade. 

A princípio, sempre haverá desigualdade social no mundo, já que é impossível todos terem exatamente as mesmas rendas, bens e riquezas.

Porém, quando a desigualdade é muito discrepante, como é o caso do Brasil, isso se torna um problema grave que deve ser analisado e solucionado.

 

Os números da desigualdade social no Brasil

Como já vimos acima, o Brasil é o oitavo país com maior diferença de renda na sua população. Só que os números não param por aí.

Uma matéria divulgada pela revista Veja, em 2019, já indicava que a desigualdade social no país aumentava pelo 17º trimestre consecutivo. Era o maior período de alta já visto na história do nosso país.

Uma pesquisa feita pela Faculdade Getúlio Vargas (FGV) revelou que a maior perda na renda domiciliar foi sofrida pela população mais pobre

Metade desses brasileiros com baixo poderio financeiro viram sua renda diminuir 17,1%, entre 2014 e 2019. Já os 1% mais ricos viram sua renda expandir em mais de 10%.

Outra pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada pela Folha de São Paulo, revela que os 10% mais ricos do Brasil ficam com 43% da renda nacional. 

Esse mesmo estudo indica que os 5% mais pobres, cerca de 4,5 milhões de pessoas, vivem apenas com R$ 165 mensais. Já imaginou viver com essa renda?

 

Concentração de renda entre os estados brasileiros 

O mesmo  IBGE indicou que a renda média per capita da população brasileira em 2019 foi de apenas R$ 1.439. A pesquisa reforça que há grandes desigualdades entre os estados.

O Distrito Federal, por exemplo, tem rendimento quase duas vezes maior que a média nacional: R$ 2.686. Vale lembrar que essa região conta com a maior concentração dos servidores públicos, que ganham altos salários e benefícios.

A renda mensal do Distrito Federal é quatro vezes superior, por exemplo, aos R$ 636 registrados no Maranhão, que possui a pior renda per capita do Brasil. 

 

Regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas

O estudo revela outro dado muito importante. Nenhum estado das regiões Norte e Nordeste apresentam rendimento mensal superior ao da média nacional. Os cinco estados com os valores mais baixos do país são:

  • Maranhão (R$ 636)
  • Alagoas (R$ 731)
  • Pará (R$ 807)
  • Piauí (R$ 827)
  • Amazonas (R$ 842)

O que podemos perceber com esses dados? Todos os estados com renda mais baixa estão nas regiões Norte e Nordeste. 

Regiões do Sul e Sudeste, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná já possuem renda per capita superior à média nacional.

 

Quais são as razões para a desigualdade social no Brasil?

Há alguns motivos que explicam a enorme concentração de renda entre uma pequena parcela da população brasileira. São eles:

 

Aumento do desemprego no Brasil

De acordo com o IBGE, uma das razões para a desigualdade ter aumentado nos últimos anos foi a taxa de desempregados

Numa pesquisa realizada pela FGV, a fila por uma vaga de trabalho no país era de 6,5% no país no fim de 2014. 

Com a forte crise econômica que se instaurou no país entre 2015 e 2016, essa porcentagem cresceu vertiginosamente chegando a 12%, atingindo cerca de 12 milhões de pessoas no 2º trimestre de 2019. 

Atualmente, também pela pandemia, o Brasil tem a taxa recorde de desemprego. De acordo com números divulgados pelo IBGE neste ano, a fila de desempregados chegou a 14,6%, afetando mais de 14,8 milhões de pessoas

 

Diferença no acesso à educação

Não é só a taxa de desemprego. Muitos brasileiros sofrem para ter acesso ao ensino básico, fundamental e médio. E os números são alarmantes.

Dados do IBGE em 2019 concluíram que temos ainda 11 milhões de analfabetos espalhados pelo país. Além disso, mais da metade dos brasileiros acima de 25 anos não concluiu a educação básica. Só 16,5% chegaram a finalizar o ensino superior. 

O relatório ainda mostra que 35% dos brasileiros com mais de 14 anos não completaram o ensino fundamental. A baixa escolaridade afeta diretamente no desemprego, já que o mercado procura profissionais mais capacitados e preparados. 

 

Falta de acesso à saúde e ao saneamento básico completo aos brasileiros

Hoje, no Brasil, segundo uma matéria divulgada pelo G1, quase metade dos brasileiros continua sem acesso ao sistema de esgoto. Além disso, 35 milhões de pessoas ainda não possuem acesso à água potável no nosso país.

Uma pesquisa do IBGE revela que cerca de 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso a nenhum serviço de saúde de uso regular. 

 

O acesso à cultura também é desigual

Outra pesquisa do IBGE, revelada pelo Jornal Nacional, mostra que mais de um terço de crianças e adolescentes de até 14 anos ainda não têm acesso à cultura. Além disso, 44% da população preta e parda vive em cidades sem cinemas, contra 34% da população branca.

 

A criação do programa de renda mínima aos mais pobres

A desigualdade só aumentou nos últimos anos, muito também por conta da pandemia. A taxa de fome e desemprego também subiram na mesma proporção. 

Estamos tendo uma oportunidade única para discutirmos a possibilidade de um programa de renda básica mais sólido aos brasileiros, com contrapartidas a serem assumidas por todos os beneficiários. 

Como, por exemplo, adesão a cursos técnicos de qualificação profissional e manutenção de filhos na escola como condições necessárias. Isso já seria um ótimo caminho para, além do benefício econômico, termos uma solução para a inclusão social.

O programa de renda mínima pode, ao mesmo tempo, priorizar a economia e valorizar a educação. A sua melhoria é fundamental para diminuirmos a desigualdade social, além de viabilizar as oportunidades de ascensão social no país.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que, a partir de 2022, o governo federal será obrigado a implementar um programa fixo de renda mínima para a população em extrema pobreza. É um começo, mas ainda estamos longe do que é considerado ideal.