De acordo com dados divulgados pela FGV Social, a taxa de insegurança alimentar atingiu cerca de 36% da população brasileira, mais de 75 milhões de pessoas. Os números são superiores à média global, que ficou na casa dos 35%.
Mas, afinal, quais são os motivos para a fome crescer tanto no país desde 2014? É o que você vai ver no post de hoje!
Recessão econômica entre 2014 e 2016
A insegurança alimentar afeta, principalmente, mulheres, famílias pobres e pessoas entre 30 e 49 anos, grupos que, na maioria das vezes, têm mais filhos, dificultando a geração infantil.
Uma das principais razões foi a recessão econômica a partir de 2014. Segundo uma pesquisa global da Gallup feita com 160 países, a fome no Brasil dobrou a partir daquele ano e registrou crescimento bem abaixo neste período. A taxa que na época era de 17% agora chega a 36%.
Entre os anos de 2014 e 2016, o país passou pela recessão econômica, quando a economia se contrai durante dois trimestres consecutivos e o PIB (Produto Interno Bruto) para de crescer e começa a cair.
Aumento do desemprego no período
Com isso, os brasileiros sofreram com o aumento do desemprego e, consequentemente, a queda no poder de compra. Os cidadãos com renda familiar menor consomem menos e, assim, a fome cresce entre os menos favorecidos.
O Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) revelou que, neste ano, o número de brasileiros na fila por uma vaga de trabalho cresceu 9,3%.
Pandemia agravou o cenário da fome
A taxa da fome já vinha aumentando nos últimos anos, mas a pandemia de covid-19 também agravou e muito a situação. Segundo dados divulgados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), a inflação oficial cresceu mais de 10% em apenas 12 meses.
O desemprego também cresceu na mesma proporção, atingindo a população mais pobre. O aumento foi nada mais nada menos do que 8,5 pontos percentuais nos últimos dois anos.
Crescimento da miséria no Brasil
O resultado da combinação entre inflação, alimentos mais caros e crescimento do desemprego é a queda aguda do poder aquisitivo dos menos favorecidos, resultando na fome e na miséria.
De acordo com levantamento realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), a pobreza saltou de 9,5 milhões em agosto de 2020 para quase 28 milhões em abril do ano seguinte, ou seja, apenas sete meses depois.
Pessoas em situação de rua teve “boom” em dois anos
Antes do agravamento do coronavírus, o IPEA (Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada) estimava que havia cerca de 221 mil brasileiros que viviam em situação de rua em todo o país. Somente na cidade de São Paulo estavam 24 mil.
Infelizmente este número cresceu exponencialmente. Novo levantamento feito pela Prefeitura de São Paulo revelou que houve alta de 31% da população de rua na capital paulista. O aumento de 7.540 pessoas equivale a todas as pessoas em situação de rua no Rio de Janeiro.
Desigualdade social em alta antes da pandemia
Outro motivo para a fome voltar a atingir fortemente os brasileiros é o aumento da desigualdade social nos últimos anos. Algo que já vem bem antes da pandemia.
Relatório sobre riqueza global feito pelo banco Credit Suisse revela que entre 2019 e 2020, o nível de desigualdade, medido pelo coeficiente Gini, subiu de 88,2 para 89,2. Quanto mais próximo de 100, maior é a concentração de renda no país.
Outro levantamento realizado pela FGV, há três anos já indicava que a desigualdade social no país crescia pelo 17º trimestre consecutivo, deixando de forma clara: a concentração de renda crescia por cinco anos consecutivos.
Novo programa de renda mínima aos brasileiros
Em um ano tão especial como o de eleições, temos uma ótima oportunidade para discutir um novo programa de renda sólido aos brasileiros, principalmente para quem mais precisa.
O projeto deve englobar contrapartidas educacionais a serem assumidos por todos os beneficiários, como, por exemplo, a adesão a cursos técnicos de qualificação profissional, além da manutenção dos filhos como condições necessárias.
Tudo isso para estimularmos cada vez mais a educação de todos, o que realmente pode diminuir o desemprego e a desigualdade em alta no país.
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