Depois de alcançar, em 2020, o menor patamar de extrema pobreza nos últimos 40 anos, infelizmente, o índice voltou a subir no ano passado, retornando ao patamar anterior à pandemia.
De acordo com levantamento divulgado pela CLP (Centro de Liderança Pública), atualmente, cerca de 18,2 milhões de brasileiros sofrem com a falta de renda e de comida no prato.
Mas, afinal, quais foram os motivos para a o aumento da extrema pobreza? A gente te explica!
O que é extrema pobreza?
Os principais levantamentos consideram extrema pobreza pessoas que sobrevivem com até R$ 11 no câmbio atual. Isso corresponde a R$ 330 mensais. Impossível sustentar uma família com este dinheiro, não é mesmo?
Quem sofre mais com este problema são as crianças e adolescentes. Estudo da Unicef revela que a pobreza monetária impactou o dobro de jovens em comparação com os adultos.
Os moradores das regiões Norte/Nordeste são os mais impactados por este enorme problema do nosso país.
Alta da taxa de inflação em 2021
Um dos principais motivos para o índice de extrema pobreza ter voltado a crescer no ano passado foi o crescimento da inflação no Brasil. De acordo com o Conselho Monetário Nacional, a taxa fechou 2021 com 10,06%, o maior patamar dos últimos oito anos.
Ela se torna prejudicial à sociedade quando sobe em níveis altíssimos e em velocidade acima dos reajustes salariais. Foi o caso do nosso país.
O poder de compra do brasileiro diminuiu, afetando principalmente os mais pobres. Muitos têm dificuldades de comprar itens essenciais, como carne, arroz e feijão.
O segmento de Alimentos e Bebidas apresentou alta de 7,9% em 12 meses. Destaques negativos para o mamão (99%), cebola (75%), morango (73%) e o leite (66%). Outro levantamento da CNN indica que encher o carrinho no supermercado ficou 31,5% mais caro a partir da pandemia.
Redução do auxílio emergencial
O Auxílio Emergencial foi criado em 2020 pelo governo federal para auxiliar os mais pobres durante a pandemia. O programa mostrou resultado positivo na redução da extrema pobreza.
O Banco Mundial aponta que a transferência de renda contribuiu para que mais de 7,4 milhões de brasileiros conseguissem melhorar um pouco sua qualidade de vida. Outro estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) vai na mesma linha e indica que a extrema pobreza chegou a diminuir 23% no período.
Porém, a queda foi temporária. O auxílio emergencial, inicialmente, teve o pagamento de cinco parcelas de R$ 600 (R$ 1,2 mil para mães solteiras) para ajudar a população vulnerável afetada pela pandemia. Depois, entre setembro e dezembro, as parcelas diminuíram pela metade.
O programa foi retomado em abril de 2021, por conta da chamada segunda onda de covid-19, mas com valores mais baixos: entre R$ 150 e R$ 375. A queda inverteu os números positivos de 2020.
Recuperação lenta do mercado de trabalho
O alto índice de desemprego registrado no ano passado também é outro fator preponderante para o crescimento da pobreza no país.
O mercado de trabalho mostrou uma recuperação lenta, oferecendo poucas oportunidades aos brasileiros. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica que o país fechou 2021 com mais de 12 milhões de desempregados.
Entendeu por que a extrema pobreza voltou a crescer no Brasil em 2021?
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