Você já teve a sensação de que só trabalha para pagar impostos? Saiba que não é apenas um sentimento. Um levantamento exclusivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que o brasileiro precisou trabalhar até o dia 29 de maio apenas para pagar tributos.

A carga tributária atual consome 149 dias do ano de trabalho ou 40,82% da renda do brasileiro. O presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, explica que o brasileiro paga tributos sobre a renda, o consumo e o patrimônio. É essa soma que gera os 149 dias destinados exclusivamente a tributos. 

Em entrevista ao Jornal Times Brasil, Gilberto Luiz também comentou sobre o retorno insatisfatório que o brasileiro recebe em forma de serviços públicos. “Temos uma das mais altas cargas tributárias do mundo, mas o retorno que o brasileiro recebe em saúde, educação, segurança e infraestrutura está muito aquém do que deveria ser”, afirmou o presidente do IBPT.

No estudo do IBPT, constatou-se que os impostos sobre o consumo são os que mais pesam no bolso dos trabalhadores. A cobrança é de 22,73% da renda do brasileiro, o que equivale a 83 dias. Em seguida, vêm os tributos sobre a renda, necessitando de 55 dias de trabalho. Para pagar os impostos sobre o patrimônio são necessários mais 11 dias, totalizando 149 dias de trabalho dedicados apenas ao pagamento da carga tributária.

Carga alta, retorno ineficiente

Segundo o estudo, o tempo trabalhado para pagar impostos mais do que dobrou em 25 anos. Em 1970, por exemplo, eram necessários 76 dias de trabalho para pagar tributos. Nos anos 90, houve um aumento de 102 dias de trabalho. Nos anos 2000, passou para 138 e nos anos 2010 para 141.

O modelo tributário nacional em vigência faz com o que Brasil cobre impostos como países desenvolvidos, mas entregue serviços como o de nações ainda em desenvolvimento. “O Brasil tem um sistema regressivo, ineficiente e que pune quem ganha menos”, afirma João Olenike, presidente executivo do IBT.

A Reforma Tributária, que será implantada em etapas, é vista como luz no final do túnel do IBT. “É necessário que o texto seja simples, justo e transparente, com objetivo de melhorar o desenvolvimento social”, afirma.

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