Não é de hoje que o brasileiro sente que trabalha demais, paga muito imposto e recebe menos saúde, educação, serviços e saneamento público. Um estudo inédito do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), entregue ao Ministério da Fazenda, reforça essa percepção. O brasileiro paga até 142,98% em tributos por um sapato, vestido ou perfume, considerando toda a cadeia produtiva.
Segundo a Folha de Pernambuco, no caso de vestuário e calçados, o total de impostos sobre os produtos chega a 92%. Já no setor de brinquedos, a carga é de 128% e, em itens de beleza, 130%.
Para realizar os cálculos, o IDV fez uma parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A entidade de tributação cruzou dados públicos da Receita Federal, IBGE, além de um banco de 125 mil notas fiscais. Com o levantamento, o objetivo é mostrar os impostos efetivos, que incidem sobre a produção e comercialização em produtos desde o setor primário, passando pela indústria, distribuição e varejo, e como o brasileiro paga até 142% de imposto.
Carga tributária alta para sapato, vestido ou perfume
O presidente do IBPT, Gilberto Amaral, afirma que os ‘impostos invisíveis’ contribuem para essa carga alta e vão sendo repassados ao longo da cadeia de produção. No caso de vestuário e calçados, por exemplo, a carga de impostos entre o setor primário e a indústria chega a 61,49%. Já nas etapas seguintes da cadeia, a distribuição no atacado e varejo, a alíquota é de 59,60%. Tudo isso, totaliza impostos efetivos de 92%.
O IBPT realizou também um cálculo considerando a carga tributária em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em 2022, de acordo com a Receita Federal, a carga tributária nominal brasileira foi de 33,71. Já o PIB chegou a R$ 9,1 trilhões ano passado. Só a arrecadação tributária totalizou R$ 3,34 trilhões.
Em comparação com os outros países, a carga tributária sobre produtos chega a 13,5% do PIB, enquanto no Reino Unido é 10,1%, no Canadá, 8,8% e no Chile, 10,6%.
Se os tributos no Brasil fossem no patamar médio da OCDE, ou seja, em 10,8% do PIB, cerca de R$ 200 bilhões a menos em impostos teriam sido cobrados sobre produtos e serviços no ano de 2020 no país. Esse dinheiro poderia ser usado para promover um país mais igualitário, com renda digna e inclusão social. Se você quer ver mudanças, assine o nosso manifesto.

