Um levantamento atualizado pela Transparência Internacional divulgado em janeiro deste ano nos revelou uma triste notícia: dentre 180 países analisados pelo instituto, somos apenas o 96º colocado

Quanto mais alta for a posição, mais o país é considerado corrupto. Em relação ao mesmo ranking divulgado há dois anos, caímos duas colocações. 

Mas o que é o Índice de Percepção de Corrupção (IPC) e quais os motivos para estarmos em uma posição tão desagradável? Confira tudo abaixo! 

O que é o Índice de Percepção de Corrupção (IPC)?

Para contextualizar, o IPC é um dos indicadores mais conhecidos e respeitáveis de corrupção do planeta. O ranking é produzido desde a década de 1990 pela Transparência Internacional e avalia 180 países em uma escala de 0 a 100. Quanto mais próximo de 100, maior é a percepção de integridade da nação.

Na liderança há um empate técnico entre três países, Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia, que alcançaram 88 pontos. Logo em seguida aparecem outras nações, como Noruega, Singapura e Suécia, com 85 pontos cada. 

Desempenho brasileiro menor que o da América do Sul e do Caribe

Seguindo essa classificação, o Brasil somou apenas 38 pontos, a terceira pior nota desde a criação do ranking e a mesma pontuação alcançada na última edição há dois anos. O desempenho brasileiro ficou abaixo da média global (43 pontos), dos países da América Latina e do Caribe (41 pontos) e das nações que integram o G20 (66 pontos).

O que explica a baixa classificação?

Segundo a própria Transparência Internacional, nosso país está “estagnado em um patamar muito ruim em relação à percepção de corrupção no setor público”. Temos alguns motivos para o péssimo desempenho. 

Casos de corrupção que afetam estatais

Nos últimos anos tivemos diversos exemplos de casos de corrupção em estatais que poderiam ser privatizadas, como é o caso dos Correios e da Petrobras.

Vale lembrar que em empresas controladas pela iniciativa privada, você e todos os outros brasileiros não pagam cifras bilionárias ocasionadas por situações de má gestão, roubo, apadrinhamento político e corrupção.

Corrupção nos Correios

Há dois anos, a Polícia Federal desmantelou uma organização criminosa que contava com a participação de funcionários da estatal. De acordo com a investigação, o esquema causou prejuízo de mais de R$ 94 milhões aos cofres públicos.

Outro escândalo ocorreu no Fundo de Pensões dos Correios, o Postalis, que, segundo O Globo, registrou R$ 7 bilhões em prejuízos.

Escândalo na Petrobras

Sim, é bem provável que você já tenha visto ou lido a respeito dos casos de corrupção que aterrorizaram a Petrobras nas últimas décadas. 

Polícia Federal estima que o prejuízo por esquemas de desvio de dinheiro na petrolífera alcançou a marca de R$ 42 bilhões. Todos nós tivemos que contribuir para sanar essa dívida. 

Condenações lentas ou inexistentes de políticos corruptos

Levantamento divulgado pela revista Exame mostra que de 500 parlamentares investigados desde 1988 pelo STF (Superior Tribunal Federal), só 16 foram condenados. Desses, 8 foram presos (apenas um esteve preso até 2016). 

Os demais, ou recorreram ou contaram com a prescrição para se livrar das ações penais. Outro estudo obtido pelo Estadão revela que apenas 3% dos réus com foro privilegiado são condenados pelo STF. Cerca de 13% dos processos acabaram sendo prescritos. 

Lentidão do STF

Poucos parlamentares são condenados na justiça brasileira. Um dos motivos pode se referir à carga de trabalho. Números da FGV Direito Rio revelam que a nossa suprema corte analisa mais de 100 mil processos anuais. 

São 8 mil casos mensalmente. Fazendo uma simples comparação, a Suprema Corte dos Estados Unidos, o mesmo que o STF, julga apenas 100 processos por ano. 

Outro relatório do Banco Mundial, mostra que o Poder Judiciário brasileiro fica na 30ª posição entre os mais lentos do planeta. O ranking foi feito com 133 países.

A impunidade com o foro privilegiado 

O foro privilegiado é um mecanismo que altera a competência penal sobre ações contra algumas autoridades públicas. Na prática, uma ação penal contra uma autoridade pública é julgada por tribunais superiores, diferentemente de você, cidadão comum, que é julgado pela justiça comum.

Enquanto países como Estados Unidos e Inglaterra não oferecem o privilégio a ninguém, nem ao presidente, nós concedemos a regalia para mais de 55 mil pessoas! É o que explica um levantamento feito pela revista Veja.

 

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