De acordo com dados divulgados do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o Brasil ainda conta com 11 milhões de analfabetos espalhados pelo país. O Nordeste é a região que apresenta o maior percentual, 13,9%, de pessoas que não sabem ler ou escrever.
São brasileiros com mais de 15 anos que, pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não conseguem interpretar ou criar ao menos um pequeno texto em um simples bilhete.
Observamos quatro fatores que são as principais causas para esse grave problema no País. São eles:
Desigualdade social
Baixo investimento no sistema educacional brasileiro
Uma matéria divulgada pelo UOL, compartilha que o Brasil diminuiu cerca de 56% os investimentos na educação nos últimos quatro anos.
A OCDE considera que os gastos do nosso país, nesta área tão vital à população, ainda são muito baixos. Segundo a organização, o investimento por aluno está bem abaixo das nações desenvolvidas.
O estudo aponta que o salário médio dos professores no Brasil é menor do que na maioria dos países da OCDE, e que também é ao menos 13% menor do que o salário médio dos trabalhadores brasileiros com ensino superior.
Baixa qualidade de ensino das escolas públicas
O fraco desempenho da educação já assola o país há alguns longos anos. O Brasil aparece entre as 20 piores colocações no ranking de três áreas analisadas pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), principal órgão de avaliação básica no planeta.
O Pisa analisa desempenho dos alunos acima de 15 anos em literatura, matemática e ciências em mais de 79 nações. Nosso país está mais precisamente na 57ª posição.
Enquanto isso, as escolas formam analfabetos funcionais
Estudo do Inaf (Indicador do Analfabetismo Funcional) aponta que 3 a cada 10 brasileiros são considerados analfabetos funcionais.
São mais de 38 milhões de pessoas que demonstram extrema dificuldade de entender, interpretar e se expressar por meio de letras ou números em situações práticas do dia a dia. Esta taxa está estabilizada no país há mais de 10 anos.
Colégios públicos ainda têm deficiências na infraestrutura
O Censo Escolar divulgado em 2017 apresenta números preocupantes. Em colégios com ensino fundamental, apenas 41,6% contam com rede de esgoto. A região Norte é a mais afetada por este problema, com destaque para o Acre, Amazonas, Pará e Rondônia.
A tecnologia utilizada em laboratórios, salas de informática e acesso à internet é oferecida aos alunos só em 46,8% das escolas brasileiras. Biblioteca e sala de leitura estão presentes em pouco mais de 53% das instituições públicas e privadas.
Desinteresse dos alunos em salas de aula
Estatísticas do MEC (Ministério da Educação) compartilhadas na década passada comprovam a falta de interesse dos estudantes brasileiros. Entre 2000 e 2012, a quantidade de matrículas do Ensino Médio diminuiu de 8,7 milhões para 8,3 milhões.
Os principais motivos citados pelos alunos são a inutilidade dos conteúdos, as constantes ausências de professores, os problemas de infraestrutura e a relação com os educadores.
Os estudantes desejam atividades mais práticas e argumentam que exemplos do cotidiano usados em sala de aula poderiam facilitar o aprendizado e aumentar o interesse.
Boa educação contribui para a queda da desigualdade social no Brasil
Não é à toa que no Ranking Mundial da Educação, já citado acima, países como Canadá, Japão e Finlândia aparecem entre os primeiros. São nações que sempre investiram em educação e colhem os frutos com resultados satisfatórios.
De acordo com o Índice Gini, que mede a desigualdade mundial, o país asiático é o terceiro menos desigual do planeta. O Brasil, por exemplo, é o nono mais desigual.
Mesmo com a pandemia, a taxa de desemprego do Japão é atualmente de apenas 2,9%. É o que indica o Escritório de Estatísticas. Enquanto isso, temos a quarta maior taxa de desemprego[RI5] entre os 44 países mais ricos no planeta.
Assim como as reformas, privatizações e o programa de renda mínima, a educação é um dos pilares fundamentais para termos um país cada vez menos desigual.
A falta de investimento e de infraestrutura contribuem para a baixa qualidade de ensino e o sequente desinteresse dos brasileiros.
O governo deve oferecer escolas e ensino público de qualidade, potencializando oportunidades aos mais necessitados e gerando renda, emprego e riqueza à população.

