Registrou-se a menor diferença entre a renda dos mais ricos em comparação à renda dos mais pobres, mas os números ainda são brutais.
Desigualdade é um problema crônico brasileiro. Muda o presidente, muda o viés político, mas o problema da distribuição de renda continua o mesmo de sempre. Parece que já faz parte da família. Chegou e foi se sentindo em casa. Até mesmo quando os indicadores sociais apontam alguma melhoria, a desigualdade marca presença para nos lembrar de colocar os pés no chão.
Segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE, foi registrada a menor diferença entre a renda dos mais ricos em comparação à renda dos mais pobres. Isso é motivo suficiente para celebrar. Mas, então, você analisa os dados: os 10% mais ricos têm renda 14 vezes maior do que os 40% mais pobres. E esse é o melhor cenário que já tivemos.
Colocando na ponta do lápis, a renda média mensal do grupo mais favorecido é de R$ 7.580, já a população com menor rendimento recebe em média R$ 527 mensalmente. Melhorar a distribuição de renda entre tais grupos é algo bastante positivo, porém a desigualdade está sempre à espreita. Escondida nos números. A utilização da média, em si, ajuda a mascarar a enorme disparidade que existe no Brasil.
Há dados que apontam que, quando analisado somente o recorte de 1% dos mais ricos da população, estes têm renda 40 vezes maior do que os 40% mais pobres.
Programas de transferência de renda estão entre os principais agentes responsáveis pela diminuição da disparidade. Observa-se que, por exemplo, mais famílias têm acesso a mecanismos como o Bolsa Família. Ainda assim, reduzir a pobreza não é o mesmo que diminuir a desigualdade.
Como os próprios indicadores ressaltaram, neste caso, é preciso agir na fonte do problema. Não basta apenas disfarçar o sintoma com políticas sociais voltadas para pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. É preciso pensar estrategicamente e eficientemente nessas questões. Só assim poderemos enfrentar de fato tal enfermidade social.
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