De acordo com uma pesquisa divulgada pelo IBGE, 7 em cada 10 brasileiros dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde) para algum tipo de atendimento ou tratamento médico.
Os moradores das regiões Norte e Nordeste são os que mais necessitam de uma boa cobertura por parte da saúde pública nacional. Porém, os pacientes sofrem com diversos problemas como a falta de profissionais, além de longas filas para receber atendimento.
Continue lendo este post para você entender as principais dificuldades encontradas no sistema de saúde pública do Brasil.
Poucos médicos e profissionais da saúde em hospitais públicos
Um estudo divulgado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) indica que o número de médicos no Brasil aumentou consideravelmente na última década, mas ainda segue com distribuição desigual e abaixo da média mundial.
Segundo a instituição, a média nacional é de 2,4 profissionais para cada mil habitantes. O país está abaixo do considerado ideal pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 3,4 para cada mil habitantes.
Má distribuição de médicos nas regiões Norte e Nordeste
A distribuição de médicos está concentrada em regiões mais ricas do país, como Sul e Sudeste, e apresenta menos oferta no Norte e Nordeste.
Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, possuem proporção médico/habitante de 3,15. Em Brasília, a média chega a 5,11.
O cenário é inverso em estados mais pobres do Brasil. O Pará tem o menor índice do país, com média de 1,07 para cada 1 mil habitantes. Cinco vezes a menos que a capital federal. A taxa média das regiões Norte e Nordeste são, respectivamente, de 1,3 e 1,9.
Longas filas de espera no SUS
Esperar por uma consulta médica faz parte do protocolo de quem é atendido pelo sistema público de saúde. Um relatório do Fisc Saúde, divulgado em 2016, nos mostra um dado alarmante: o Brasil tem uma média de 2,8 consultas por habitante.
Aparecemos só em 27º colocado em uma lista que engloba 30 nações. A taxa é muito inferior ao top 3: Coreia do Sul (14,3), Japão (12,9) e Hungria (11,8).
Os problemas neste tema não param por aí. Outro levantamento feito pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Mato Grosso revela que o tempo médio de espera para atendimento na região é de simplesmente 1 ano e 4 meses.
Redução de leitos médicos na última década
O baixo número de leitos nos hospitais públicos do país já vem antes da pandemia de covid-19. O Conselho Nacional dos Municípios (CNM) calculou em 2018 a perda de 40 mil leitos hospitalares nos últimos 10 anos.
Poucos equipamentos e a falta de profissionais capacitados são alguns dos motivos para os fechamentos. Os leitos são extremamente necessários para uma estadia digna aos pacientes.
O problema é ainda pior quando falamos a respeito dos leitos de UTI neonatal. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) indica que o SUS tem, em média, 1,5 leito por mil recém-nascidos, bem abaixo dos 4,4 recomendados pela entidade.
Poucos recursos destinados pelo governo federal
A falta de verba é um problema muito antigo do sistema público de saúde do Brasil. Uma matéria do UOL relembra que apenas 3,6% do orçamento do governo federal foi destinado à saúde em 2018. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média mundial é de 11,7%.
A taxa nacional é menor também que a do continente africano (9,9%), nas Américas (13,6%) e na Europa (13,2%).
Os investimentos do país na área são apenas menos da metade do percentual gasto pela França, por exemplo.
As informações constam no relatório elaborado pela OCDE. O órgão classifica o país entre os últimos do grupo das nações consideradas desenvolvidas ou emergentes, com investimentos 30% abaixo da média.
Os dados que passamos acima indicam que o SUS é subfinanciado e não recebe recursos suficientes para atender toda a população, como propõe a Constituição.
Por que investir mais em saúde?
A saúde e educação são dois pilares fundamentais para o avanço da população. Um bom sistema de saúde contribui para potencializar a qualidade de vida de todos, diminuir a pobreza e melhorar o crescimento econômico dos brasileiros.
O setor se mostra relevante na capacidade de gerar empregos e renda. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a saúde gerou quase 17% dos trabalhos formais no país em 2018.
Como já dissemos no início deste post, saúde é direito universal dos brasileiros e o Estado tem como um de seus deveres oferecer boas condições de atendimento médico ao público.

