Senado aprova medida que aumenta o número de deputados de 513 cadeiras para 531 e alega que a mudança terá impacto zero no orçamento.


 

Votação em regime de urgência no Senado aprova medida que aumenta o número de Deputados Federais. A câmara passará de 513 para 531 membros. Senadores favoráveis alegam que a medida não terá impacto no orçamento. Relator da matéria chega a argumentar que nenhum centavo será comprometido pela medida. Para muitos, porém, essa conta não está fechando. Afinal, não existe almoço grátis na Câmara.

Quanto a mudança poderá custar aos cofres públicos? Estimativas revelam que estas 18 novas cadeiras poderão gerar uma despesa de até R$ 64,6 milhões por ano. O rombo pode ser ainda maior se analisado o efeito cascata que a medida pode gerar. Neste segundo cenário, os cofres públicos podem sofrer com uma despesa adicional de até R$ 150 milhões.

A proposta foi aprovada com o mínimo de votos necessários: 41 favoráveis. O que demonstra desde já a impopularidade do tema. No Senado, o texto sofreu alteração, exigindo que na próxima legislatura, no período de 2027 a 2030, a medida não aumente as despesas da casa. Não é preciso ser especialista para questionar a argumentação, afinal, como a inclusão de mais 18 deputados na folha de pagamento se concretizaria sem aumentar os gastos?

Imagine que você tem uma empresa com 513 funcionários e precisa contratar mais 18 pessoas sem aumentar as despesas. Como fazer isso sem impactar na saúde financeira do seu negócio? Agora, lembre-se que, além do salário, cada funcionário receberá uma verba para as despesas de gabinete, passagens para deslocamento em compromissos profissionais, etc.

Se a Câmara realizar a proeza de incluir mais 18 deputados na casa sem aumentar as despesas, estaremos diante de um caso milagroso de eficiência no investimento dos recursos públicos. Porém, surge então a dúvida, esse tempo todo havia no orçamento mais de R$ 60 milhões por ano que poderiam ser otimizados? 

Enfim, na pior das hipóteses, quem paga o deputado somos nós, brasileiros. Novamente.